quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Vida Engatilhada


Engatilhei minha vida e lhe atirei
Foi um tiro certeiro que errei
A bala que lhe acertou me matou
E hoje vivo da morte nascente
De um amor que nem brotou nem nasceu
Terra fértil e sem semente
E com a diferença entre rei e plebeu
Sou eu o escravo da própria coroa
Um barco sem leme e sem proa
E perdido em meu próprio oceano
Aonde meu mundo é um abandono
Em que o porto muda sempre de lugar
E sem ter onde me atracar
Tento voltar para o leito de um rio
Procurando me sentir mais seguro
E fugindo desse seu beijo frio

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CHULA DO TANQUE


Papai cantava chula
Mamãe com a roupa a lavar
Dependurada no tanque
Nunca parou de sambar
Pequenininho puxava a saia dela
Que me ninava com seu balançar
Mamãe sua cintura sorria
Papai não parava de tocar
Lembrança de menino da roça
Que comia paçoca
Com Tum Tum Tum de pilão
Na nossa vida tudo era doce
Como as batidas do coração
De quem viveu pra sambar
Mas não deserda seu chão

sábado, 18 de dezembro de 2010

Tudo Que Errei


Quando você se arrepender
De todos os seus pecados
E descobrir que esta ao meu lado
Foi à metade do todo que em ti faltou
E se os meus braços passassem a ser laços
Prendendo meu corpo ao seu
Veras que não fui um Romeu
Mas que Brutus também não sou
E quando tudo isso terminar
Pensarei em tudo que errei
E se você não aprender a amar
Eu também a mim não amarei

O PALHAÇO


Cansei de ser palhaço
E com alegria disfarço
A tristeza do meu olhar
Carregando comigo essa graça
De uma miséria que se embaraça
Com a pintura da minha face
Vivo mentido para um espelho
Quando coloco um nariz vermelho
Rindo por fora com meu disfarce
Da amêndoa eu sou a casca
Justamente o que disfarça
Quando alguém me diz: Faça!
Quando a dor esta crescendo
Eu me sinto protegido
Quando estou no picadeiro
Você rindo o tempo inteiro
E eu aos poucos vou morrendo

Lavando Magoas


A lavadeira tem suas penas
E com uma tristeza no seu olhar,
Corre pelo rio suas águas
E em seus olhos correm magoas
Que não tem onde desaguar
De um lado esta a margem
E ela marginal sempre esta
Cambaleando sentimentos
Não sabendo de que lado ficar
Em um soluço esconde o choro
E as lagrimas se juntam em coro
Que para o mar vai navegar
Lavadeira o seu destino
É ver o rio sempre menino
Cada dia mais pequenino
Que como lagrimas vai ficar.

domingo, 21 de novembro de 2010

Poema do Aparecer


Talvez eu demore a aparecer,

Mas talvez eu sempre esteja

Na flor de um novo amanhecer

Entregando-te a aurora numa bandeja

E se meu corpo for esquecido

Que meus atos sejam eternos

Para que nunca seja adormecido

Meu carinho por você tão fraterno

Se eu adormecer

Se eu demorar

Se acontecer

De nada constar

Lembre que o tempo

O tempo...

É um eterno esperar

Das águas e luas

Das luzes, dos mares

Eu sempre serei em você

Flor do amanhecer

Quando a lembrança chamar

Kaká Bahia e Victor Fidel

sábado, 24 de julho de 2010

Papeis

Escreveu com sangue
Todo ódio que tinha por mim,
Mas seu amor ficou apenas
Nas manchas vermelhas de carmim,
E das lembranças que ficaram
Marcadas na memória
Estão sempre as mais ruins,
Nem tudo foi dor,
Nem tudo foi gloria
E cada um escolheu uma historia
Fazendo sua própria novela,
Em que o cenário foi à vida
Mas as peças eram esquecidas
E assistir ao fim nunca foi capaz,
Continuo com o mesmo enredo
Assistindo sua própria clivagem
Não se pode retornar se esta presa,
Não se pode voltar se não fez a viagem
E devemos separar o inferno do céu,
Não queira ser sempre o principal artista,
E reconhecer que erramos
É ensaiar um novo papel

Presente e Passado

O tempo que se foi
São como cicatrizes
Eles marcam o chão cravando raízes
Valendo a pena olhar para trás,
Para ver florescer o que se plantou
E tudo que nasceu e brotou
Dará-lhe uma eterna sombra
Sustentada em seu legado,
Para isso chamaremos de passado,
Pois os atos dos homens
São como ferrões ao tempo,
Marcando a sua memória
Criando a sua historia
E para ter a certeza de estarmos vivos
Desfrutamos das mais puras emoções
Causando em nossos corpos frios e arrepios
Contraindo nosso corpo e mente
E para esse momento,
Chamaremos de presente.

A Solidão e o Cais


O meu peito é só de magoas,
E o teu sorriso que me falta
São as águas que meu barco
Precisa navegar,
Mas se secar esse rio
Minha vida por um fio
Se equilibra em teu olhar
E se sua tristeza for o meu cais
Eu juro que nunca mais
Vou a você me atracar,
Mas se em teu rosto rolasse uma lagrima
Seria o suficiente para eu me afogar,
E se o amor tiver asas
E não souber onde pousar
Faça de meus braços a tua casa,
Eu sou o cais do mundo
Seja você o meu mar,
Se sua sede se sentir só
Dando nas suas palavras um nó
Sou suas cordas e vocais a te amarrar
Calando sua própria voz
Mostrando que eu e você
Só podemos chamar de nós

segunda-feira, 19 de julho de 2010

CHICO

O homem tem no peito uma corrente
Lhe prendendo com firmeza seus pés,
Espíritas, fieis católicos e candomblés,
São as partes do fruto ou da semente,
Quem tem fé no coração que ostente
Para acreditar naquilo que não se ver
O amor nasceu para quem quer crer
Que os olhos são espelhos do seu eu
Enxergar dentro do outro o que é seu
São como unir seus elos e conviver

Mas se as montanhas não se moverem
Nunca desista do mundo querer mudar,
A espada é mais fraca que o um olhar,
E veja a claridade e luzes se acenderem,
E se ruins nem maus nunca morrerem
É para que tua força não se acomode
Se estais adormecido antão acorde
Existe um mundo novo alem daqui,
Não tem nada que não possas conseguir
Deixe que seu rio de amor transborde

O dom de fazer o bem nunca é bastante,
E escolher o caminho é a sua decisão,
Muitos faltam o que você tem na mão
Não deixe o que lhe sobra na estante,
Só expansão do amor deve ser abundante,
Já que não existem fronteiras para o bem
Ninguém deveria ter nada se outro não tem
E todo fardo e leve quando for dividido,
E não existira um só espírito absorvido
Até que de mãos dadas o mundo diga,
Amém.

domingo, 13 de junho de 2010

Versos pelo Ar

UM VERSO SE SOLTA NAQUELA PROCURA
E OFERTA UM PRESENTE COMO DE COSTUME
CHEIO DE VONTADE QUERENDO UM CIÚME
UM CIÚME PEQUENO, DAQUELE QUE CURA
QUERENDO O DESEJO QUE AO PEITO PERFURA
AQUELA SAUDADE DO FUNDO DO POÇO
AQUELE SORRISO DA MOÇA PRO MOÇO
NA SALA VAZIA DO FILME SEM GRAÇA
A MARCA DO BEIJO NA BOCA DA TAÇA
O CHEIRO QUE EXALA O SUOR DO PESCOÇO

MAVIAEL MELO

UM VERSO SE PRENDE AGORA POR DENTRO
DEPOIS DO PRESENTE TODO ENCIUMADO
UM BEIJO A PROCURA DO PEITO FURADO
DO POÇO ORA FUNDO. AGORA NÃO MAIS
ACHANDO A SAUDADE GUARDADA NO CAIS
DO LADO DA SALA DO FILME VAZIO
NÃO QUEBRANDO A TAÇA, FICOU POR UM FIO
FAZENDO OUTRO VERSO NA RIMA QUE PASSA
SOPRANDO O PESCOÇO, BRINDANDO NA TAÇA
A NOITE DE GRAÇA NA BEIRA DO RIO

VICTOR FIDEL

E NOS SEUS CABELOS A MÃO QUE DESLIZA
PROCURA EM SUAS CURVAS OUTRO CAMINHO
MEU CORPO E O SEU SEMPRE JUNTINHO
ABRE AS CASAS FOGOSAS DA MINHA CAMISA
SEUS DEDOS MOLHADOS MEU CORPO ALISA
CRESCENDO EM MIM TUDO QUE É SEU
VOCÊ A PRINCESA E EU SOU O PLEBEU
COM UM SENTIMENTO QUE SE MISTURA
PARECENDO AGULHA E LINHA DE COSTURA
ME LEVANDO A LOUCURA COM UM BEIJO SEU

KAKÁ BAHIA

MAIS UM VERSO VOA POUSANDO EM SEUS SONHOS
EMBALANDO A LOA DA NOSSA CANÇÃO
ESTIRANDO A ESTEIRA NO SEU CORAÇÃO
FAZENDO ESQUECER PASSADOS TRISTONHOS
RIMANDO SEUS OLHOS COM OS MEUS TÃO RISONHOS
POR ISSO MINHA VIDA SE FAZ MAIS CONTENTE
PORQUE MINHA VIDA É A VIDA DA GENTE
PORQUE CERTO DIA NOSSO ”VÉIO DEUS”
UNIU OS CAMINHOS, OS MEUS COM OS SEUS
E ENTÃO ME DEU VOCÊ DE PRESENTE!

WALTER LAJES

domingo, 30 de maio de 2010

O Mundo




Pense no mundo como um lugar comum,
Não desista nunca do amor
Continue procurando dentro de você,
Se não o encontrar não desista,
Procure e procure que em Bogotá,
Não soltem bombas,
Pois as crianças no Afeganistão
O mundo não precisa mais ouvir, Cabul,
Não é tão difícil encontrar o caminho
No fundo do seu eu ele estará
Muitos caminhos te levarão a La Paz,
Doe tudo que há de bom em você
Todos podem doar um pouco
As mulheres do Sudão, o povo de Canadá,
Se não puder dar grana, que não seja Granada
Verás que assim teremos Assunção
Veras que ser bom valerá Atenas
Marque tudo que há de bom em você,
Pois a Dinamarca,
Não pense que servir é servidão
O mundo só precisa de você,
Não precisamos de mais um El Salvador,
Nem Santiago, São Tome e San Marino.
Se doarmos um pouco de cada um
Todos Teerã e Japão na mesa,
Muitos já têm uma vida dura
Ninguém mais quer viver em Honduras,
Verás que juntos o mundo também é Seul
Veja que apenas em Albana deverá haver Tirana
E a índia merece uma Nova Deli,
O mundo não deverá ter fome
Nem a áfrica deveria ter Gana,
Não podemos esperar muito
Isto tem que ser feito Angola,
Não ache que sou um louco
Por eu ainda acreditar que o amor não morreu,
Se você olhar para Israel verá que ele em TelAviv.

domingo, 2 de maio de 2010

Poeta Fidel.


Fidel

F iquei imaginando o tempo,
I ncrível o que se pode ver,
D esde que era menino
E sperei o sol e o amanhecer,
L onge de minhas vontades
P ude ser dono do não ter,
O ntem foi um dia a menos,
E hoje amanha terá que ser,
M e espelho no meu passado
A limento do meu viver,
T udo que tenho é amado,
O resultado do que finquei,
R egando uma planta na terra
I nvejo-me por que plantei
O s amigos de uma vida eterna.


(Presente no aniveráario do Poeta Victor Fidel Poematório)

Aceitação


É difícil aceitar a gratidão,
É um sentimento fugaz,
E difícil aceitar a traição
Pra isso é preciso amar,
Pra isso é preciso paz,
É possível crescer com o perdão,
Mesmo que a dor
Queira vencer a razão,
O trair não esta em mim
O trair não esta em você,
Não deixemos tudo isto crescer
Porque não vejo quem pode ganhar,
Porque só vejo que vamos perder.

Beatriz


Quando achei que a vida era difícil
não imaginava que você seria o meu vício,
na verdade não sabia o que era amar,
hoje aprendi a te ninar,
e encontro em seu sono a minha paz,
não preciso de prata nem ouro,
fico rico se um sorriso você me trás,
Dos filmes de minha vida
Você foi a principal atriz,
E se o mundo eu tivesse aos meus pés,
Trocava por você,
Beatriz.

Homenagem ao nascimento da filha de um grande cantador.

Adubo Homem


Deixe o homem
Viver a vida,
Deixe seu labor,
Diminua sua sina
Dê a ele a terra,
E pra terra ele voltara
E tão grande a lida
E tão difícil o batente,
Sem a terra ele é pó
E pro pó voltara,
Canta açun preto chora sabiá
Mandacaru floresceu
Sinal de chuva no ar,
Não há homem sem terra
Sem terras sei que há
Florescer, renascer, crescer.
A terra é trabalho
Sofrimento não é poesia
A fome que elege
Caleja e aleija o cidadão
Devolva a terra
Não quero ser pó
Nem adubo de chão.

Rancho Das Estrelas


A noite é tão tranqüila
Mas não vejo as estrelas,
Talvez elas estejam estendidas no chão,
E agora faço uma oração
Para rimar amor e dor,
E com isso espantar a solidão,
Sinto-me mais humano a cada dia
E perco a agonia de conhecer tudo que é sagrado
Por meus amigos sou mais amado
E acho tudo isto muito normal,
Vindo para o campo de corola ou rural
Procurando não perde um só instante
E estendido no terreiro
Numa esteira de alegria
Pra cantar versos e poesias
De um desejo muito desejado,
E nesse solo sagrado
Finco firmes meus pés
Procurando criar raízes,
Esquecendo todas as mazelas
Provando que é mais feliz
Quem conhece o Rancho das Estrelas.

O rancho não tem nenhum tipo de luxo, talvez seja isso que lhe torne um lugar tão especial. Está do lado dos pais de Verla é um momento impar, eles transmitem muita paz.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Além Mar

( Foto Ricardo Mascarenhas)

(Esta foto é o momento EXATO em que o Grande Papalo Monteiro terminava a poesia. Hoje já música feita por suas mãos. Casa dos Carneiros crescente de abril.)

ALÉM MAR
De onde se enxerga o vento
É lá onde o seu pensamento
É nome próprio de amar
Só pra eternizar desejos
Desejou “bentida” na pele sonhar
Mas nela a pele da bela
Sonhava acordada
Lançando notas do seu caminhar
Tragada de sonho que sorria
E os versos traziam a lona
No lombo da besta do bardo
Do rio que se entrega ao mar
Vendo a lua lumiar o caminhar
Guiando os passos do cego atôa
Fazendo o cantador dizer sua loa
Alegrando as estrelas que vivem no ar
Juntando os versos em um novo pensar
Correndo como o rio que não quer descansar
Deixa o rio correr que é uma vez só
Mais vai acordar o sonho do povo
É só um beijo só
Mais o retrato vai cair
Vai trincar os dentes
Vai haver ajuntamento
Quem for valente vai pinicar viola
Vai violar a lei
Ainda tá quente a cera do meu anel
De além mar



Paulinho Jequié/Dorinho Chaves/Kaka Bahia/Papalo Monteiro

domingo, 24 de janeiro de 2010

Dão Barros




Modelar sempre lhe foi um prazer
E modelo jamais deixou de ser,
Tinha nas mãos o Dão de desenhar,
Criando artes e mostrando a vida,
Obra e imagem jamais esquecida,
Dono de um sorriso simples e maroto,
Ah! Quanta saudade vai deixar esse garoto,
Faltará uma alegria que não voltara jamais
Entristecendo nossas cantorias e festivais,
Tornou da dura madeira puro encantamento
Cravando em nossa memória esse momento,
Que hoje ele nos falta, mas nunca será esquecido
Vitória, hoje perde Vitórias e Conquistas
E o seu frio gela ainda mais nosso coração,
Como colocar um sentimento nas próprias mãos
Desenhando para as mais belas flores os jarros?
Uma ironia ver que a terra chama de volta
Um grande homem que nunca deixara de ser Barros.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Kell Lira


Seu corpo forte e pequeno
Esconde uma voz tamanha,
Que transporta rios e montanhas,
Pra tristeza chega a ser um algoz,
Seu coração e mente é pura voz,
Que vem forte como um pressagio
O corpo treme passando todo estagio
Afugentando do mundo o torpor,
Dando a vida o sentido do amor
Trazendo á meus sonhos a pura paz
Mostrando do que um canto é capaz
Quebrando o silêncio como um clamor
Transformando em alegria o que for dor,
Faz o vento mudar rumo e direção
E os pássaros aprendem a se calar,
Só para ouvir Kell Lira cantar.

Feliz Aniversario Kell, você canta lindo demais.