domingo, 17 de maio de 2009

Os Sons do Silêncio

Ouvi o silêncio quando você parou de respirar
E a primavera perdeu suas flores,
Sentir o calor do inverno
Sentir minha felicidade no inferno
Ao tocar em sua mão gelada,
Como um cavaleiro que perde a amada,
Hoje sou a solidão de uma estrada deserta
E, como sua volta e incerta,
Espero o dia de te encontrar.
Para quê
meu peito bate
Sem você para escutar?
Vivo sem querer
E morrer seria viver
Para em teus braços poder ficar.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Gilma


Vou me antecipar por um dia

Talvez porque você seja pra frente,

Por você ser tão coração quanto mente,

E o mundo fica mais belo quando você irradia

E teus olhos não conseguem esconder o que sente,

Você nunca é tolo, nunca é meio, nunca é morno,

Consegui concentrar em uma espécie tanta energia,

Ser toda amiga, toda mãe, toda mulher toda gente

Tens a doçura da flor e firmeza do espinho,

Gosta de mostra um jeito estranho

Só para esconder que dentro desse coração

Existe um infinito carinho.

Poesia feita para minha amiga Gilma no dia do seu aniversário.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Bêbado em Perfeito Estado


Bêbado em perfeito estado
Eu estava,
Não tinha nos passos o destino,
Pisava em vão,
Guiava, mas não sabia
No acelerador, o destino
Homem velho,
Mas menino,
Chego sim, chego não
Porque não decido a direção,
Tenho nos pés o perigo
Na inconsciência, as mãos
Ninguém sabe se consigo,
Chego sim, chego não.

Juntando Estrelas


Quis ser criança e driblei o medo,
Realize desejos,
Fui feliz de brincadeira,
Grande, tenho os mesmos sonhos
E mantenho os calos
De minhas mãos cansadas
Sei que as estradas que andei
Mostraram que fui escada,
Fui sede, fome e água
Acredito em verrugas,
E deixei de contar estrelas
Criei os medos e os mitos,
Me libertei com um grito
E fui criança ao sonhar
Venha sentar em meu tapete,
Das nuvens faço uma rede
E te ensino a voar,
Faço o porquê ser infinito,
O mar vira um mito,
Das tuas sandálias faço um altar.

Concavo e Convexo



Com nexo
Eu fiz sexo
Você côncavo
Eu convexo
Como eu fiz
O que você quis
Pintei de giz
O que condiz
Você sem roupa
Eu vejo a polpa
Te deixo louca
Me alisa a louça
E em ti me agarro
Como a flor e o jarro

Correndo da Saudade



Venha acreditar no que te digo
São tantos os meus motivos
Para essa sede eu matar
Não faça de meu amor uma esmola
Muitos já tiveram essa historia
E sempre trocaram de lugar
Sou da tese que a alegria
Joga um balde de água fria
Em toda dor que imperar
E abro meus braços no terreiro
Corro feito um sanfoneiro
Como se o forro fosse acabar
Puxo pela mão minha menina
Dobro qualquer esquina
Mas eu chego nesse lugar

Cultivo no Homem


Cultivo no homem
Muito mais que emoção
Troco todo seu ódio
Por amor e razão
Semeio o amor
E cato as mazelas do chão
Cicatrizo as feridas
Reciclo a ilusão da vida
E a solidão é algo que alimenta
Do que a gente cria
E nunca esta sozinha

Dengo


Quantos beijos deixei de te dar
Quantos afagos são amargos por faltar
Ainda te vejo criança a correr
E os meus braços não te darei no altar
É tão duro da morte eu morrer
E um pedaço de eu acabar
Onde andas teu sorriso
Daí me a lembrança que preciso
Não me dengue não me dengue não me dengue
Fez o meu dengo agora descansar
Levando contigo um pedaço de mim
E essa parte sempre vai faltar
Mas não vou parar minha percussão
Vou botar no tambor toda minha dor
Como se fossem voltar, às batidas do seu coração
Não me dengue não me dengue não me dengue.

(foi o que bateu em mim logo ao saber que a dengue levou a filha do nosso artista Val Macambira)

Amor de Carnaval


Ei amor!
A saudade de tudo isso vai ficar
Te vejo nas ondas do corpo
Te tenho em jardim de alah
Me entrega tuas mãos
Deixe nesse ultimo minuto eu te tocar
Entrega esse beijo
Como se fosse o ultimo lugar
Como se essa festa não mais existisse
Descubra que ficar sozinho é triste
Como se o carnaval fosse voltar.

Cadê Você


Cadê você
Finja um carinho
Finja perto de mim
Cante alegrias e mazelas
Dome um cavalo
Mas não o compare com a donzela
Sei que ama sua raiz
E nunca troque sua vida por Paris
Ruim não e esta sozinho
É andar acompanhado
E não reconhecer o caminho
É beijar a flor
Sem respeitar o espinho
E ser forte como uma torre
Que vivi sozinha
Não olhe no espelho
Não reflita a tristeza
Troco à dor por beleza
Plebeu por nobreza

Soneto Para Tereza


O amor é a poesia dos sentidos !!!
Ou é sublime ou não existe...
Ele está onde eu possa te encontrar,
E tornou belo o que em mim era triste.
Para te conquistar dancei,
Errei passos e me arrepiei ,
ao te beijar pela primeira vez,
tornando mais bela sua tez.
Um presente foi pra mim essa menina,
Que antes em comum, só a Nina
Hoje em teu colo, você "me nina".
Me faz de ti, querer cuidar.
Me fiz em artes,
Me fiz em partes,
Vim lhe completar
Mesmo cozinhar era preciso,
E não precisava ser preciso...
Mas ate nisso te encantei,
E não me cansei,
De dizer por todo o ultimo ano
Eu te amo.
Até ser poeta precisei,
Com o dom da poesia
Que somente não ficou fria,
porque meu coração fechou no ardor
com emoção e calor
a expressão de todo meu amor
escrito no computador
em cima de uma mesa
todo meu louvor de felicitação
para você, toda minha devoção
e dedicação, Maria Tereza !!!


Roberto Pacheco me mandou essa poesia 99% pronta, seu espírito, alma, carinho e amor já estavam nela, e nela também estava. Talvez por consideração e admiração tenha me enviado para que fizesse alguma observação. O pouco que fiz não mudou em nada a sua essência que já cheirava a flores de um altar.
A poesia foi um presente para TT, (TT é a forma carinhosa pelo qual chamamos Maria Tereza) quem eu tive a honra de conhecer na mesma época em que os dois se conheceram. Espero profundamente que continuem sendo um eterno casal de amantes.


Mandacaru


Mandacaru,
Que ironia dizer que mandas
Se você sempre tem o corpo nu
Mandacaru,
Mandachuva do sertão
Manda que inspira poesia
Manda pro meus versos
Tudo que eu diria
Para não rimar agonia
Com as coisas que lembra tu

terça-feira, 5 de maio de 2009

Dois Tempos



Onde aprendeu acalmar o mar
Tocar meu rosto como um orvalho
Ser forte como um carvalho
E ter nos olhos o brilho dos meninos
E o cheiro forte do alho

Coloco em tuas mãos
Meu destino
Me guia como um labrador
Fiel aos meus passos
E indiferente a minha dor

Torna o céu finito
Faz da orquestra um grito
E sem uma palavra
Aprende a me sufocar
Fiz essa poesia no dia que conheci o Grande amigo parceiro e afinadíssimo cantor Graco Lima Jr, foi muito engraçado, pois fui apresentando a ele por Ton Ton Flores, Ton olhou para mim e disse: faz ai uma poesia para Lima musicar, eu peguei um guardanapo e escrevi tudo de uma única vez, como se já tivesse na cabeça a tempo, sem mudar uma única vírgula. Mas o mais impressionante de tudo isso foi que Lima pegou o violão e cantou a musica na mesma hora, foi tudo feito em menos de cinco minutos, por isso se chama dois tempos, um tempo da poesia e outro da musica.


Capa e Espada


Quis que visses meu amor numa espada
E por ele lutei e matei
Transigi, conspirei contra a vida...
E num altar de sangue te beijei

Percorri tantos mares e distantes
Procurando passagens ao tempo
Sob a escuridão desencantos,
Torturados em prantos ao vento

E na sala da sã consciência
Remissão de pecados clamei
De senhor das batalhas sangrentas
A escravo do curso da lei

Coloquei a espada na capa
Como quem esconde o passado
Apaguei em estrelas e astros
Meu cavalo, meu sonho encantado.


Imagine um cavaleiro daqueles todo poderoso que existia nas épocas medievais, imagine que esse cavaleiro se apaixona por uma princesa de outro reinado, e a qualquer custo ele resolvo buscar essa princesa, só que nessa busca ele tem que matar muita gente ate chegar ao seu reino, chegando ao seu objetivo ele se surpreende ao encontra-a ensangüentada, morta por uma flechada, é quando ele se arrepende de ter feito toda aquele batalha por um capricho só seu, então ele resolve colocar a espada na capa e sumir, abandonando tudo. Esta é uma de nossas mais belas musicas (eu, João Sereno e Vecinho).

Todos Contra Um


Você apareceu tão rápido
Te vejo em meus pensamentos
Eu fiz aqueles movimentos
Que são avessos a solidão
Em minhas mãos estava você
E no vai e vem,
Saiu de mim
O que poderia estar em ti
Mesmo que isso fosse nascer
Um de dois
Um de nós
Você deveria abrir
E eu e você sentir
O que não acontece na solidão
Causando inveja e mais inveja
As minhas, molhadas mãos

Testemunha Constelação


Às vezes me embaraço
Em teus braços indecisos,
A estrela esconde um sorriso
E no céu a lua mais romântica
Soltam lagrimas pingando mel
E o luar faz uma cortina
Escondendo de ti o céu,
Fazendo-te menos menina
Para que eu possa te beijar
E seguindo esta sina
Sigo alegre pelo universo
Fazendo estrelas virarem versos
E astros darem as mãos
Tornando todo o mundo
Uma grande constelação

Brincando de Poeta


Brincando de poeta
Arrisquei uns rabiscos
E não sei qual o risco
Que tudo isso me causou
Colocando a vida na poesia
Ri de choros e alegrias
Quando um sentimento me tocou
Corri de braços abertos no terreiro
Brincado na lama e na chuva
Que a poeira assentou
E um anjo não alado
Corria lado a lado
Acho que a solidão me deixou
Saiu tão poente
Como um rio que perde a nascente
Pra saber a dor que um anjo sente
Quando se desfaz um grande amor

A Consciência


Sou o corpo na jornada
Sou quem sai e nunca esta
E pra quem me seguir sem motivo
Eu tiro meu chapéu,
Sou as mazelas que a vida quis
E de toda dor que se acabou
Sou a cicatriz
Sou a lembrança do amanha
Do fim de algo que você duvidou
Sou o remorso depois do tempo
Sou quem aprendeu com a dor
Sou o interesse mais puro
Sou a falta nos animais
Sou a ciência e a igreja
Sou quem não volta atrás

A Dúvida


Mesmo sendo a sua dúvida
Sendo o submerso o incerto
Sou o fundo do mar
Sou seu mundo inconsciente
Sou a dor que você sente
Buscando não me encontrar
Sou o domínio de sua mente
Sou a planta e a semente
Tudo que existe pra semear
E se germino em sua vida
Sou medo e sou o feto
Sou o certo e o incerto
Toda força que você gerar
Sou o anjo e a serpente
Sou o rei e o altar
Sou ate você em outra vida
Sou tudo que você duvidar

De Fifó na Mão


Por todo canto te procuro
Já tem noites que não durmo
Você se foi não sei com quem
E levou contigo meu coração
Eita que a solidão maltrata
Sabe sempre o rumo da estrada
E do amor ela é a contra mão
Não me perdoou
Me deixou a ilusão
De que um dia voltaria
Fiz promessa pra Maria
Se um dia você voltar
Prometi pra ela o impossível
Trocaria minha sanfona
Por um fifó
E minhas tripas deram um nó
Pois ela aceitou a transação
Hoje estou com esse candeeiro
Alumiando o terreiro
Te buscando na escuridão

Elomariana



Fico imaginando um VIOLEIRO nas CURVAS DO RIO
Cantando LOUVAÇÃO de CANTIGA DE AMIGO
Para PEÕES NA AMARRAÇÃO
Como se fosse uma CHULA NO TERREIRO
Onde A PERGUNTA sobre a ARRUMAÇÃO
Será uma DESERANÇA para GABRIELA
CANTADA
na casa dos carneiros,
A ABERTURA seria feita
Junto com a dança da fogueira
Dando inicio a FUNÇÃO
Que seria iniciada
Com a chegada do CAVALEIRO DE SÃO JOAQUIM
Com as botas sujas por andar
NA ESTRADA DAS AREIAS DE OURO
O povo fazendo uma CANTADA
Para a saida de DASSANTA
Não como uma RETIRADA
Mas um ACALANTO para nossos corações
E mesmo que o dia amanhecesse
E apontasse o CAMPO BRANCO,
Cantaria mais uma TIRANA,
E A MEU DEUS UM CANTO NOVO
Ate que a ESTRELA MAGA DOS CIGANOS sumisse
NA NOITE DE SANTO REIS
E ZEFINHA dissesse esta e a ultima PARCELADA
Pois o dia CLARIÔ e AGORA SOU FELIZ.

O que esta destacado são nomes de letras
do menestrel Elomar Fiqueira Mello

Campo Limpo


Quanto horizonte vê meus olhos,
Quanta mágica existe aqui
Mostra-me um mundo lindo
E me sufoca ao partir
Rouba minha alegria
Faz meu coração se dividir
Como talismã, tenho uma jaqueira
Que fica no fundo do meu quintal
E uma brisa bela e forte
Vem toda linda para mim
O sol tem ciúme do vento
Aos teus cabelos balançar
É estranha a presença
De quem teve que partir
Levando os versos e a poesia
Que me roubou ao voar
Mas como um pássaro mudo
Vem chegando a meu mundo
E ensinando-me a viver
Fizeste-me escravo de suas lembranças
Devido aos carinhos e teus abraços
Hoje estais longe de meu peito
Mas nunca tirou de mim os Passos.

Homenagem a Poetiza Lita Passos, sua fazenda Campo Limpo
e a seu ex marido e eterno poeta.

Enrolei


Eu tenho um sonho
Que às vezes só meu
Às vezes o mundo
Aos meus olhos enlouqueceu
Meus pecados
Exemplos seus
Aprendo curto danço
Fumo cheiro descanso
Venha volte passou
Agora sou ou não sou
De bobeira sim
Mas dono de mim
Um violão
Um tom
Do, ré, mi, fa, so, li e aprendi
Sei como se faz
Vou decidir
É hora da bola
Paga pra mim
Vou à praia
Sundown?
Sim
Mas deixo queimar
E a fumaça sair
Vai ver sou eu sim
Continua enrolando
Eu fico aqui
Na praia no canto
Guarapari

Entre o Som e o Silêncio



Um poeta sempre diz seus versos
Um poeta sempre fala só
Um poeta na garganta da um nó
Quando lhe faltam as palavras
Um poeta rima o caminho com a estrada
E tem sempre entre ele e o papel a solidão
O poeta compõe em silencio
Ou ao som compõe uma canção
O poeta fala de tudo
E muitas vezes não diz nada
Às vezes apenas em uma linha
Conta sua vida e sua morada
Um poeta é o deserto
Ou a cidade mais habitada
O poeta e o amante
E também a mulher amada
.

Existem Poetas e Poetas


Poetas finos como a linha que costura,

Que une amargo com amargura,

E que entorta a linha do trem,

Poetas mortos, poetas conhecidos e esquecidos

Que dos meios de comunicação foram banidos

Por não querer rimar amor com dor,

Solidão? Compaixão.

Poetas que sobre o ferro da tortura

Nunca perderam a ternura,

E andam com suas penas em comunhão,

Poetas quer riem da própria desgraça

E com rimas fazem a graça

Para louvar o amanhecer,

Poetas, poetas, POETA!

Tens a palavra como meta,

E como o arco e a flecha,

Juntos se completam.

Mas um, Depende do outro para voar.

Andarilho


Muitas vezes minha calça boca de sino
Seguiu meu destino
E eu fiz tudo mudar
Entre um cigarro aceso
Estavam os traumas e os medos,
Os cabelos compridos ao vento
Não escondiam o peso
Que minhas costas podiam carregar
Entre os beijos da amada
Peguei a estrada sem rumo e sem lugar
Em minhas caminhadas
Vagava meus pensamentos
E entre mais um trago
Eu trago a inspiração do vinho
As três Marias entenderam minhas manias
E aos poucos eu as vi crescer
Mas foi em meus momentos de solidão
Que fui os trilhos e também fui o vagão
Hoje os brancos da fonte
Me faz filosofar aos montes
Quando quis se ligeiro fui de Jeep
Quando estava só era Hyper
E quando todos precisavam
Eu cheguei

Homenagem a um grande homem.
Adilson Brito.

A Fada


Nos teus olhos
Vejo o sol repousar
E o crepúsculo desse dia
Faz a lua te encontrar
E uma serenata trás a vida
Cada dia em teu olhar
E no curso desse rio
Fica o canto e o ninho
Onde você vai repousar
Dona de todos os meus sonhos
De meus desejos e enganos
Viverei como se fosse nada
Se você não for à fada
Dessa mágica de amar

A Inveja


Meu pensamento vaga
Como um vento forte
E hoje nada me consola
Fico sem rumo e sem norte
Perdido sem uma bússola
Que desnorteia meu coração
Que me dá sinais como um cão
E repele-me como uma irmã
Ama-me como irmão
Inveja-me como Caim
Nega-me sempre a mão
Mas é capaz de morrer por mim

Cinza


Se minha porção mulher se aflorasse
E devorasse o homem que sou eu
Não seria maior ou menor
Apenas seria eu
Não agradaria mais uma menina
Não agradaria mais um rapaz
Mas encontraria em mim a paz
Não seria metade ou disperso
Será como um todo
Seria completo
E não cobraria de mim mesmo
Julgar entre o torto ou certo
Passaria a ser um ser do mundo
E não teria medo de errar
Seria grandioso e puro
Assim como um deserto
Onde sobrevive o mais esperto
Ou quem a ele se adaptar


(Essa poesia foi feita quando assistia uma parada gay, quis ser o mais autentico possível, retratando apenas a naturalidade do fato, batizei de Cinza por ser a soma das duas cores, branco e preto)

A Cor da Dor


A alegria às vezes tem cor
Nem sempre a voz
Expressa o verdadeiro som
Quem cantou não foi de alegria
E nele mostrou a dor
Como recompensa
Tiveram palmas
E pelo mar transportaram-se corpos
E almas
A dor pelos ares
Não se ouvia nos mares
Quem foi de angola
Teve marcas nos ombros
Cães, armas e espora
Fugindo pro quilombo
Com sonhos de seu continente
Pesando sobre o assombro
Dominado de corpos, e mentes
Avaliado por braços e dentes
Perdeu a identidade e a historia
E nunca pagaremos os erros
Que esta enraizado na memória

domingo, 3 de maio de 2009

As Tetas da Africa


Eis a mãe que cedeu
Eis a mãe que entregou o peito meu
E foram laços e não braços
Que meu corpo prendeu

Não fomos nós os bestas
Por tu ceder tuas tetas
Pro mundo escravizar

Se afasta os horizontes
E vejo ao longe os montes
Quando navego por esse mar

Minhas lagrimas são rios
E não diminui o frio
Que todo medo pode causar

Não é o meu corpo que sente
A falta que faz a gente
Que deixou seu lugar

Mamãe ainda choro
E no teu peito me consolo
Sentindo saudades de La

Trás meu sentimento como raiz
E mesmo mentindo me diz
Que volto pro meu lugar

Mas uma bela musica com o parceiro Marcelo Nunes

A Mesma Mão

A mão
Que amassa o pão
Puxa o gatilho
Mata o menino
Rouba a nação
Traça o destino
Muda a canção
Alimenta o pobre
Que o corpo cobre
Cuspido no chão
Sem passado
Lado a lado com a solidão
Nascer ou acordar
Está no mesmo lugar
Vivo sim vivo não
Um dia cansado
E outro animado em vão
Desesperar
Se encerra a esperança
De uma aliança
Entre o medo
E o terror
Chora uma criança
Brincando de sentinela
Nos becos da favela
A sonhar
O grande poeta, cantor, cordelista e parceiro
Maviael Melo fez uma linda canção com essa letra.

"Adreira"


Quão belas são as pernas de quem sabem andar
Quão belas são as pernas de quem sobe o altar
Que mesmo que não tenham saltos
Faz sempre os vôos mais altos
Como um clip que chega ao ar
Desenhando estilos e tecendo roupas
Faz cochichos com uma voz rouca
Para muitos meio extravagante
Para outros, gênio ou louca
Tem sempre uma resposta pronta na boca
Dizendo nãos que devoram meus sins
Tornado as noites longas e sem fins
Atormentando amantes e amados
Mas com a elegância da lua do sertão
Deixa mais belo o céu de Brumado

Poesia feita para a Lindíssima Estilista Adriana Meira
(Craidora da marca Mandach) no dia do seu aniversario.

Tempo Menino




Quando menino
Pulei cerca
E tirei espinhos.
Carrapicho nas canelas
Na mão ninho de passarinho
Saci pererê no redemoinho

Se caipora me enrola
Fumo de corda ensina o caminho
Banho, beira de rio
Acari na toca
Mão na loca
Tiro na perdiz
Menino feliz,
Mente, cresce o nariz

Arapuca no mato
Medo lobisomem na cancela
Guerra de mamona
Não pegar carona
Lona de caminhão

Mamãe, a roupa nova
Também vou passear
Na igreja tem quermesse
A missa vai acabar
Mamãe eu também vou
Se você não deixar
Vou ficar na janela
Só pra ver Ana passar.

(Não vou ser modesto, essa para mim é musica
que melhor retrata uma criança normal que viveu
no interior, e que não foi criada em playglound. E que
meu parceiro maior (João Sereno) teve a divina inspiração de fazer
essa lindíssima musica já gravada por diversos
cantores como Dominguinhos, Aldemario Coelho,
Claudio Barris e outros)

O Perdão


SUBLIMADA A LIRA DESSES VERSOS MEUS
CAVALGANDO OS TEMPOS DE CAIM
MOISÉS SÃO TANTOS OS FILHOS TEUS
QUE AINDA O MAR SE ABRE EM MIM

NA MISSÃO EM QUE O MAU SEMPRE PERDEU
A ARANHA JÁ TECIA A SUA TEIA
DAVI QUE GIGANTES VENCEU
DOIDA E VÃ, MADALENA FOI À CEIA

DE LÁ VI A HISTORIA RECONTAR
E AS LOAS PARA UM HOMEM VENCEDOR
AS FORMAS DE LO TUDO SALGOU
E AUMENTOU EM SODOMA AQUELA DOR

VI O MAR ABRIR EM PARALELOS
EM OUTRA ÉPOCA O NILO MUDOU DE COR
FEZ O REI DO EGITO AJOELHAR-SE
E O PRIMOGÊNITO A VIDA RETORNOU

DE UM PÃO UMA MULTIDÃO SE ALIMENTAR
COM OS PÉS NA ÁGUA NÃO SUBMERGIU
DAS CINZAS LÁZARO FEZ RETORNAR
E UM COXO ALEGRE CORREU E SORRIU

COM PREGOS TEVE UMA CRUZ COMO ALTAR
E PARA MUITOS FOI EXIBIDO COMO UM TROFÉU
COM A GRANDEZA QUE TINHA NO OLHAR
PERDOOU A TODOS E MORREU.

(Luís Caldas fez um lindo tango com esta poesía. Ilustre parceiro)

O Amor em Si


O amor é uma exatidão
É o dom da vida
É o sim e o não
O amor é a malvadeza
E o mais puro perdão
É a verdade mais sincera
E a calunia do irmão
O amor mostra a face da doçura
E a impiedosa tortura
O amor é uma fogueira acesa
E a frieza do carvão
É o calor do afeto
E o frio do deserto
É a duvida do incerto
E o amor de um feto
É a mão estendida de um pai
E a distancia crescente do cais
É a pureza da rosa
E o ferimento do espinho
É a escassez da pobreza
E a fartura da riqueza
O amor é a corda da ancora
Ou o nó da forca
O amor é a contra mão da estrada
E a certeza do caminho
O amor é a atitude mais rude
E o infinito carinho