domingo, 8 de novembro de 2009

Cynthia




Se esses fosses seus verdadeiros segredos
Eu esconderia todos os meus medos
E tentaria te conquistar
Poderia todo verde te dar
Seriamos completos
Arvores e frutos a brotar
Frutos da liberdade de ser feliz
Frutos profundos do mar
Nos tornaríamos um só
Eu parte de seu corpo
Pelos campos a galopar
Numa perfeita harmonia
Como o sol a repousar

Tenho uma amiga capixaba que ainda não conheço pessoalmente, mas ela me contou um pouco de como era, e me inspirou a fazer essa poesia.

Eu Sei


Eu sei
Que você não se decidiu
Que tudo não foi passageiro
Que nos seus olhos ainda brilha aquele amor
Eu sei
Nossa historia sempre foi real
Que sobrevivemos alem do bem e do mal
E que todo lugar vai ser distante sem mim
Eu sei
Que entre beijos e abraços
Você não esquece meus laços
Nem como foi bom aquele amor
Vem
Volta para quem nunca errou
Volta e devolve aquela flor
Que lhe dei no carnaval
Volta
Diga que é maior que o meu erro
Pois sem você não tenho sossego
E já não enxergo nada nem lugar
Perdoe
Sei que e difícil acreditar
Nas palavras e no altar
Que sempre quis te levar
Estou aqui
Carente do que construir
Escravo de um erro banal
Que foi achar que vivia sem ti

Estrela Lua


Estou aqui mostrando
Estou aqui para mostrar
Olha o povo dançando
Olha o povo não quer parar
É a Volante guiando
É a Volante mostrando
Como se deve forrozear
Vem gente bela levanta
Vem arrastando o pé pra cá
Suspende a poeira do terreiro
Arrasta o povo desse lugar
É forro pro mundo inteiro
É forro para dançar
É o nordeste mostrando
Por que o Lua veio de lá
Virou estrela guia
E é a mais bela dessa noite
Que brilha em qualquer lugar

Eu a Vaga Lume


E de tudo pode acontecer
Posso dar um drible no azar
Assim como a morte pode vencer
É certo que o sol vai chegar
É a certeza do amanhecer
A coruja conhece a noite
E o vaga lume se apresenta
Para não morre na ribalta
Sua luz vai acender
Sem canto a coruja
Pia a tristeza do anoitecer
Um menestrel das violas
Acompanha o luar e a janela
Se emocionando com a varanda
E busca no olhar da coruja
Nos olhos da donzela
Que ver o brilho do pirilampo
Que se perde pelos campos
Ao encontro de sua donzela
Dona de uma fé absoluta
E uma sina perdedeira
O Vaga lume ganha sua prenda
Voa pelos ventos a sonhar
Enquanto eu perco o clarão da janela
Que se fecha como uma flecha
Tornado escuro o meu luar




Espelho de Rosto


Eu quis muito
Pouco não servia
Vi o brilho dentro de teus olhos
Quando de longe você surgia
Espelhava no rosto minha alegria
Um sorriso, por favor,
E me puxe pela mão
Nessa hora não fico só
Nem no campo nem no salão
Você é quem sabe o que é solidão
Solidão aqui não cabe no coração

Esnobe


Espero o tempo
Para reviver um momento
Mas o tempo não chega
Conto as horas
Vivo por um só segundo
Cadê você?
Vivo, entrego renovo e erro
Só por você
Entoa conta e encanta
Esnoba ou apronta
Hoje quem manda é você
Com um olhar para me prender
Coloca coleira em meu peito
E escraviza meu coração
Faz um destino para meus caminhos
E me guia pelos campos
E sem que eu espere
Solta minhas mãos
Fico perdido
Encaro o destino
E aprendo a voar
Em passos lentos
Chuto as pedras
Assovio uma canção
Que lembra seu sorriso
E o calor de sua mão.


Enxurrada de Lagrimas


Coloco todo meu sentimento de lado
E tento não te perder
E o amor é muito maior
Maior do que você pode crê
Não quis dizer o que já foi dito
Cansei de ouvir
Ou cansei de você
Tento acreditar
Tento compreender
Tudo é muito bom
Quanto do meu lado tem você
Mas se a dor como chuva cair
Vejo enxurradas nos meus olhos
Que lavou a imagem de ter você aqui

Ponto G


Um dia porra nenhuma
Outro dia menina lua
Eu nas nuvens, ela nua
O desenho do sexo
O côncavo o convexo
São duas manchas
Duas linhas
Para uns apenas rabisco
Para outros, as linhas um Picasso
Coisas grandes hoje escassos
Não precisa, não precisa, não precisa
Não precisa do tamanho
É só jeito
É só lugar
Tanto na areia
Como no mar
Vai entrar
Não vou calar
Saiu um grito
Como um grande G
Será um mito?
Ou eu chego a esse ponto
Pronto, pronto, pronto
E pra você?

Entre as Estrelas


Um dia eu ouvir tudo que você fez pra mim
Mas tudo mudou, e esqueci tantas coisas
E você nem se lembra mais do mal
E tão ruim mas sei sobreviver sem você
O que você disse não é mais real
E a mentira partiu sem recados
Levando os detalhes do fim
Cadê as marcas que me deixaram triste
Um mundo passa e torna a me deixar normal
Não enxergo as flores que ficou no jardim
Tudo esta acabado,
Você morreu pra mim
Vou descer um ponto antes
E melhor que seja assim
Tomara que chova no caminho
Assim as lagrimas se confundem
Ou em você borra o carmim
Alem do mais, tenho muito que pensar
Não marco mais compromissos
Estou aberto ao acaso
E voltar a encontrar meus amigos
Vai ser bom gargalhar
E esquecer que errei
Não devo carregar a culpa do amargo
Apenas aprendo com o passado
Fazendo planos com as estrelas
Voando em um cavalo alado

Coraçao Usado


Troxe meu coração nas mãos
E te entreguei sem cerimônia
E você usou ele como bem quis
Mas esta toca não criou raiz
E o que era brasa se apagou
Tentei colocar ele de volta no lugar
Mas o encaixe não era perfeito
Fiquei com ele fora do peito
E todos que me viam
Enxergavam em mim essa dor
E aos poucos ele foi se apagando
Não fazia mais o mesmo
Tum Tum Tum
Hoje sou apenas mais um
Que vive sem rumo e sem estrada
Perdido na escuridão,
Te juro que outra ainda não encontrei
E nunca mais fui amado
Talvez por carregar no meu peito
Um coração que foi usado

Contando História




Acredito em verrugas
E deixei de contar estrelas
Porque essa gente diferente
Não aprendeu assim
Desde miudinho
Nas bandas de lá
Dividia todo pouquinho
E não abandonava o lar
As histórias eram as mesmas
Só mudava quem ia narrar
A mula sem cabeça
E a velha da ponte
Eram protagonistas do lugar
Tinha as historias da casa de farinha
Que o lobisomem ia visitar
O medo só mudava de idade
E o lugar mais confortável
Era o de quem ia contar

Debito Eterno


E ai?
Você vai pagar?
O preço e bom
Vai comprar?
Isto é um negro
Trousse de outro lugar
Os dentes são bons
Pode checar
Tem mulher,
Bonita e bela
Pode experimentar
Se devolver eu recebo
Não precisa se preocupar
O frete é barato
Veio pelo mar
Não tem fiscalização
Nem precisa ter pena
Se não servir
Pode enterrar
Mão de obra barata
Pela dúzia é melhor pagar
Se é gente?
Não sei
O Papa liberou e disse:
Pode escravizar.


Para que nunca esqueçamos a crueldade que foi capaz de fazer a raça humana, lembro que a escravidão teve apoio do papa da época

Chicote


A comunidade pode ser igual
Mas nunca será tribal
Dói mais a ferida no sal
Igual a índio no curral
Xangó já cantou humanidade
Nagô eu vou, ver eu vou
Paraíso quem viu?
A navalha menos dói
Do que o frio
Quantas vezes pelourinho.
Um corpo esticado, sozinho
Um braço forte, um chicote
Pelas costa, um golpe
A dor, a demonstração
De bater com salto alto
O corpo humano
Parecendo um palco.
Chicote que mata não prende
Quem não sentiu dor
Não entende
E quem é fraco, se rende.

Chuá, Chuá, nas costas...
Chuá, Chuá na dor...
Chuá, Chuá no peito...
Chuá, Chuá errou.

A Casa de Silvia


Na casa de Silvia se reúnem os poetas
Todos com alegrias e metas
E com sentimentos desse lugar
O canto é muito pequenininho
Mas tem muita poesia e carinho
É grande e aconchegante esse lugar
Tem um espaço na varanda
Os passarinhos cantam e comem na janela
Mostrando a hospitalidade dela,
Aqui tenho a certeza do carinho
E a embriagues do vinho,
Faz a vaquinha trás a conta
Tem a fumaça do outro andar
Deixando a galera a delirar
Corre chama o vizinho pega a ponta
Que a roda vai girar
O Verlando vai inventar um prato
Com leite de licuri e artesanato
E entre as suas pinturas mais bonitas
Esta do dom de quem sabe pintar
E nas camisas, calças, vestido e lanços de fita
Esta a simplicidade de seu olhar

Brasiliarú


Carandiru,
Filho de Brasília
O congresso uma ilha
Inversão de lugar
Quem vai pagar?
O povo a minoria
O poder uma rítmia
De tempo modo e lugar
Presidente na capa
Que cada um Veja
Esperado ou surpresa
É nossa a decisão
De escolher e mudar
Mas onde esta?
Vou procurar
Me enganar e enganar
Se sacaneado
E sacanear
É o troco dos raivosos
É a vingança de quem ficar
Anunciai a liberdade
E troca o preso de lugar

Barco de Papel





Por labuta vida passa
Haja vida no sertão
Dengo novo que desponta
Mama filho pés no chão
Luar doce que não bebo
Olhos fixos no luar
Vendo a venda que nos rende
Deixe a vida nos guiar
Crianças traquinas
Pelas ruas
Com tudo a admirar
Brincadeiras de verdade
Como carrinhos a puxar
Barco de papel e chuva
Correnteza a voltar
Vendo a infância
Pela janela
Para vida retornar.

Kaká Bahia e Paulinho Jequié

Foto de Dôra Araújo.

Carnavais



Deixe que o trio sacuda a massa
E que o povo não perca a alegria
Do ritmo da dança e da fumaça
Que envolve a raça da Bahia
Sacudindo o corpo e a poeira
Sabendo que ele e todo seu
De roupas coloridas e eletrizantes
Como o som de baby e Pepeu
Se queres um carnaval cheio de cores
Que embeleze as ruas do Brasil
Se ligue na beleza dessa terra
Formado por esse céu azul anil
Se o som parar o mundo
E você sentir que esta sozinho
Ouça as rosas as aves e o vento
Eles são feitos de momentos
E dos acordes de Armadinho
Dançando o carnaval com muito amor
No ritmo do nosso ex Dodô
Apanhe nas águas do mar
Estrelas de um céu onde navega

Os tons e mistérios de Osmar

Barrigas



Antes de você chegar eu já te sinto
Concreto, e ao mesmo tempo abstrato
E esta parte de mim agora é meu todo
Vai chegando de mansinho quando parto
E me vejo transformar em outra pessoa
Mudou meu corpo para que o seu se formasse
E para que o teu sorriso criança se aflorasse,
Estampando essa alegria de minha face
Vem chorar que eu te dengo
Brincando de corda bola ou mamulengo
Dando a minha vida outro sentido
Faz parte de meu umbigo
Seja meu filho amado e amigo

Amor de Viola



Esta morena caipira
Que o meu amor ignora
Sempre diz que vai embora
Uma cigana a fugir
Deixa meu coração em descompasso
E ate hoje perco os passos
Quando lembro seus olhos a sorrir
Esse amor de viola
Que meus sentimentos violam
Quando se afastam de mim
Deixe que com beijos eu te acorde
Como se fosse os acordes
De teu corpo junto a mim
Amor de viola, não viola o amor
É vedada de verdade
Que a tristeza trás saudade
Como o cheiro de uma flor
Semeia o néctar da minha vida
Faz a tristeza ser esquecida
Afastando toda dor
Quem nunca sentiu a poesia
Com rimas de alegria

E com o perfume do amor


Kaká Bahia e Marcelo Numes

Congresso


Sei que esta aqui
Mas não quer ficar
Vou embora
Para não enxerga
Não ver as lagrimas
Nos olhos de quem não quer chorar
Não ver a decisão
Nas mãos de quem vai errar
O parlamento um engano
O congresso um cão
Pequeno de ideais
Grande de ambição,
A fome e menor
Do que quem vai se alimentar
Tem sede de excessos
De tudo que não vai levar
Juntar, juntar, juntar
Ainda é pouco
Para quem não sabe
Aonde quer chegar
A comida alimenta
A fome de quem vai votar
Os parasitas sabem
Que de cultura não podem alimentar
Pois quem pensa atrapalha
Aqueles que querem manipular


Alimento e Pensamentos


Cultivo no homem
Muito mais que emoção
Troco todo seu ódio
Por amor e razão
Semeio o amor
E cato as mazelas do chão
Cicatrizo as feridas
Reciclo a ilusão da vida
E a solidão é algo que se alimenta
Do que agente cria
E nunca esta sozinha
Quando alguém se pronuncia
Lhe rejeita e lhe surpreende
Faz animais comuns
Pensantes e errantes
Como se fossem gente
Ídolos e amigos
Carneiro e lobos
Inimigos e parceiros
Todos juntos
Em um mesmo celeiro
E me alimento dos fungos
Quem vem em meus pensamentos
E que me deixa sedento de vida
Presos em idéias
E feridas

Candieiro e Pavio



Por que você não fica aqui
Eu prometo arrumar a casa
Tudo isso para ver você sorrir
Ainda faço uma festança
Junta o povo da vizinhança
Homem mulher e criança
Te dou um tapete de sisal
Lembra aquele vestidinho de chita
Te dou outra igual
Planto um pé de jambo
E umas roseiras no quintal
Compro umas galinhas de primeira
Armo uma rede no pé de ingá
E pra casa ficar feliz
Solto o curió e o sabiá
Mas deixe de besteira e de teima
Enquanto você sustenta a palavra
Esse fogo me queima
Derreta em meus braços esse frio
Não sabe que somos a mesma chama

Como o candeeiro e o pavio

O Mar Por Testemunha


Ouço o mar que balança
Devolvendo o cheiro de suas tranças
E dando um novo brilho ao luar
Na brisa você encontra tudo que precisa
Mas sempre me mostra esse jeito
De mulher madura indecisa
Faz isso não
Assim como essas ondas que se vão
Você ficara sozinha
O tempo não se recupera
Temos uma linda historia
Deixar eu de carregar
Viver em seus braços
E sempre te amar

Pensamentos ao Tempo



Os meus versos sempre existiram
Eles estão na inspiração do universo
São as estrelas do céu
São minhas verdades quando te confesso,
De tudo que é amargo eu sou o mel,
Sou um grão de sal no oceano
Sou o sentimento mais puro
Sou as dores que me torna humano
Quando perco a razão já estou no escuro,
Mas volto a me encontrar em pensamentos
E quando o tempo se perder
Serei o espaço e o momento

Poema a Cinco Mãos


Sobre a sobra da amendoeira
Descansei minha alma maneira
E me perdi no instante e no tempo
Tenho em sonhos a noite estradeira
Que se aproximava em outro sorriso
A vida não tem métrica
Tem rima
O rio não tem seta,
Tem sina
Sou uma gota contendo o oceano
Não preciso de tema
Se tenho violão, gaita, amigos
Poesia e muita musica boa
Não sou vagabundo e nem vivo a toa
O presente é o maior presente
Aqui agora é tudo
De quem é o mundo?
É nosso!
De quem é o sonho?
É nosso!
E a rima é a vida
E fiz desses versos cantiga
Lembrando de amizades antigas
Que tornam esses momentos eternos.

Tem esse nome por ter sido feito com todos esses parceiros, na verdade isso já é uma quadrilha.

Lajes dos Amanhãs


Poesia de quem esta de bem com a vida
Palavras de quem tem certeza de lida
Versos puros e verdadeiros
Como a certeza do amanhecer
Que retorna no outro dia envelhecido
E que não deixa esquecido meu ser
Que me faz levantar com certeza de vencer
Superando e superando a própria vontade
Então entrego a mim mesmo minha vida
Fazendo dela instrumento da felicidade
Assim o tempo não tem mais idade
E o tempo não poderá me envelhecer
Pois nesse momento sou apenas memória
Que ficará cravada nos cravos da historia
Fazendo de mim um crepúsculo
Esperando em paz a chegada da aurora
Walter Lajes, um iluminado cantador me inspirou nessa poesia que fiz em homenagem a ele. Obrigado por ser meu amigo e parceiro cabra.



Incertas Poesias


Quis ser poeta de brincadeira
E fiz a besteira de aprender compor,
Nunca rimei amor com dor,
Nem solidão com paixão
Por isso não fui sucesso
Mas juro que não regresso
Nem desonro meu sertão
Tenho a firmeza da mão
E o doce desse afeto
De carregar no coração
A poesia e o incerto
Pode ser no mar ou no deserto
Não desisto nunca, não
Vou carregando esta lida
Tanto justo quanto linda
Igual a asas de borboleta,
E se for pra me trair
Deixo tudo aqui
Como se nunca tivesse nascido
Prefiro ser esquecido
Ser um qualquer um indigente
Do que ser a semente
Da porcaria que essa gente
Tomou como musica de amor
E carrego esse horror
Bem no fundo do meu peito,
Como se nunca tivesse jeito
Como se acabasse tudo em dor

Farejador


Na primeira noite que perdi os olhos
Sair para me embriagar
E como tudo era obscuro tanto quanto escuro
Não escolhi mesa ou lugar
Nesse exato momento um dos meus sentidos se aguça
Um cheiro meigo e bonito toma conta do lugar
Perdi com os olhos a timidez
Era como se tivesse vergonha do olhar
Nessa mesma noite eterna e escura
Tive-lhe em meus braços
Mas o frio mostra que chegou o dia
Pra mim sempre noite por ironia
Me vi perdido a vagar
Minha cama vazia mantinha seu cheiro
E aquele lençol passou a ser pequeno
Para minhas lagrimas enxugar
Hoje vivo de bar em bar a te procurar
Te caçando como um cão a farejar
Não me deixaste apenas um nome
Mas continuo a caçar
Carregando a incerteza de um dia te encontrar

Analuz


O girassol toma sua posição
O sol como se cumprimentasse a vida
Estende sua mão,
A bartira que precisa do calor desabrochou
E os pássaros começar a cantar
O luar se escondeu,
Para que ela pudesse passar
E a aurora estende um tapete vermelho
Mostrando que a vida reflete como um espelho
E sua presença é o mais puro sentido da vida
Faz ver que toda escuridão é esquecida
E peço a Deus que a tudo conduz
Abra os braços para chegada de Analuz

Amizade


Eu sempre vivi plantando meus sonhos
E colhia dessa colheita eterna
Eternos amigos
E meus sentimentos ternos
São infinitos,
E descobri que nos olhos de cada um
Tem um sorriso
E esconder minhas emoções já não consigo
Lembranças me vêm à tona
Saudades eternas de tudo
E entre os sorrisos chorei,
Cantei ameia e sentir o tempo
Que entre amigos me completa
Enriquecendo meus sentimentos

E fazendo da felicidade uma meta

Fogo e Agua


A água e o fogo não se controlam
Mas sua função consigo administrar
E você trata meu amor como esmola
E quando você sai nunca sei onde esta
Prefiro viver como as águas correntes do rio
E como espuma nele me banhar
Mesmo que meu corpo nu sinta frio
Melhor do que ver você me abandonar
Eu seria o fogo que te aquece
E despido de sentimentos te esquentar
Mas essa união nunca tece
Como o fogo e a água a se encontrar

Abraço a Poesia


Abraço a poesia
Com a força da palavra
Espremo o verso em tira,
E tiro o que me afaga
Faço de simples palavras e versos,
Faço dos versos uma estrada
Que carrega a trilha em longas milhas
O poema que me abraça
E aperta minha alma
Com a força de um corpo que dilata,
Novamente o prazer de um nascer
Para em outro verso aparecer
O mais puro do puro carinho
Mostrando a direção e o caminho
Das estrelas e do estradar

Meu pensamento vaga
Como um vento forte
E hoje nada me consola
Fico sem rumo e sem norte
Perdido sem uma bússola
Que desnorteia meu coração
Que me dá sinais como um cão
E repele-me como uma irmã
Ama-me como irmão
Inveja-me como Caim
Nega-me sempre a mão

Mas é capaz de morrer por mim

A Morte


Porque me condenas, se te faço viver
Não vê nos meus olhos, tanto pavor?
Sou de tua ira o que gera o amor
Muitas vezes me aproximo te evitando sofrer
Pior se me queres e não posso atender,
Sou quem seu sentimento controla
E como um mágico que venera a cartola
Vou te guiando, evitando o abismo
Quando não me enxerga, é puro anarquismo
Fazendo do tempo apenas uma esmola

Sou quem permite a criança crescer
E vislumbro numa planta todo processo
Se vou a você, em outro eu regresso
Para em outra vida tornar a nascer,
Dando continuidade ao amanhecer
Trazendo o orvalho que ora evapora
Como o crepúsculo sempre vai embora
Dando lugar ao nascer de um novo dia
Regresso novamente na mesma guia
Causando inveja a chegada da aurora

Sou quem te faz temer a serpente
E te mostro os limites do ar e do mar
Quando próximo te ensino a amar
Sem mim não existiria fruto ou semente
Não distingo animais de gente
Todos são frutos a apodrecer
Quando perdes queres vencer
Mas não se lembra do juízo final
Mascarando o bem, mostrando o mal
Chama-me, mas não querendo me ver

Mostro ao homem que o processo carnal
Consome a essência de todo espírito
Tornando a bondade sempre um mito,
E fazendo da pureza uma coisa banal
Vivendo de festas e de carnaval
Vai levando a vida todo extremo
Mas se cai de joelhos fica ameno
Pedindo a seu penar eterno perdão
Olhando pro céu querendo uma mão
Que diminua todo seu veneno

O Só


noite é uma solidão,
Se esconde as pessoas
Atrás de portas, janelas e portões
O lugar fica comum
Alguns vigias são sombras,
Pelas paredes frias,
Rãs e gias
Me sinto o dono da rua
Que alem de mim tem os ratos
Mendigos e pardos gatos,
Tem a lua que nunca se esconde
Pode esta cheia ou quase nua
Pequena ou minguante
Noites às vezes quentes
Noites às vezes frias
Deixando o compromisso,
Amanhecer às vezes é dolorido
Me sinto longe de mim
E dono apenas de um umbigo

O Nó


Quem desata um nó,
Na vida sempre foi só
Pois não conhece a união
E nunca teve uma comunhão
E não sabe que dois é um só,
Que vivo vais desatar
O que a morte entrelaçou
Se um conto não aflorar,
A vida que em mim sobrou
A esquina vai desvendar
A rua que me encontrou
E maior que as ruas e o mundo
É meu sentimento mais profundo

Se Fosse Eu


E quando te vejo cega
Com esse amor que nunca me entrega
Fico pensando sozinho
Onde ando que não acho caminho
Para esse amor conquista
E a seus beijos me entregar
Como sempre fossemos um só
Uma corda de sisal que se perde no nó
E que nunca mais consegue separar
Deixa apenas um dia eu ti amar
Mesmo que isso ficasse na lembrança
Me tornando uma eterna criança
Que quer ter um brinquedo
Que não pode conquistar

Se Lascando de Amor



Eu quero me lascar de amor
E mesmo que meu eu sinta toda essa dor
Não desisto de teus beijos,
Faço toda essa dor um desejo
E aprendo com isso a te amar,
E me prendendo em tuas amarras
Sou teus pés e tuas sandálias
Por onde você andar,
Que pise por águas fundas,
Ou no fogo onde há razão
Que pise na minha mão
Ou em meus pés quando a valsar tocar
Eu quero mesmo e te amar
E nunca mais ter razão
Eu quero me lascar de amor
Eu quero e morrer de paixão


Kaká Bahia - Victor Fidel

O Homem


Sou um erro um engano
Sou um profeta do passado
Sou da fruta o amargo
Sou da estação a solidão
Sou o homem,
Quem ditou todos os nomes
Que chorou o ódio da guerra
E se enganou com a paz
Sou a podridão dos animais
Sou quem mata por matar
Sou o nojo dos racionais
Quando bons somos irracionais
Vejo meu semelhante demente
E de tudo que existe de ruim,
Sou a própria semente
Sou quem anda para trás
Sou quem inventou a palavra amar
Para ser o contrario de errar
Inventei a justiça e as leis
Para me punir pelas coisas que errei
E sonho com a liberdade,
Pois também me aprisionei

O Espantalho


Um espantalho abriu os braços
E em seus atos me abraçou
Vejo as aves que voam no espaço
E sem asas me sinto sozinho
Sem você e também sem ninho
Sem suas asas, perco meu caminho
A liberdade esta dentro do fora
Por que introspectivo me ignora
A liberdade esta no outro
Quando a sua vai embora
Mas o espantalho continua parado
E o pássaro não tem a semente
Sentindo a dor que falta na gente
Quando germina um fruto doente.

Sem Domínio Do Tempo


Seguindo o caminho que leva a conquista
Saudades, entraves, milagres provei
No tempo, senhor de tudo me dei
Crescendo em meu traço o ser sempre otimista
Trancei um compasso sem golpe de vista
Sempre procurando o novo entender
Abrindo outras portas do velho aprender
Buscando o quere no tempo presente
Num verso estradeiro cantar consciente
O novo presente que ensina a viver

E na linha do horizonte eu traço um compasso
Olhando para um espelho e vendo o passado
Lutando contra o tempo me sinto cansado
E aprendendo com a vida eu apresso meu passo
E como um rio sem volta, meu futuro eu traço
Sendo velho no corpo, no espírito criança
Fazendo do espaço uma antiga aliança
Provando do mundo, na taça traguei
Bebendo sem sede, as vezes que errei
Alimentando na alma eterna esperança


Kaká Bahia - Maviael Melo

A Inveja


Sou eternamente assim
Dono de versos impunes,
Sou a bengala dos ateus
Vivo sem a permissão de deus
E não vejo nada de podre ser ruim
Se você vê nos olhos do próximo um irmão
Eu os vejo em cada ser um Caim
Meus pensamentos são grandiosos e lógicos
Muito maior que homens mitológicos
Carrego uma grande treva que me conduz
Sou precioso como cristo
E quando ele quis concertar fui à cruz
Sinto que o mundo esta aos meus pés
Sou de um navio a popa e o convés
E de um trabalhador braçal sou suas mãos
Da gigantesca imensidão do mar eu sou o sal
E do poeta mais ilustre sou pensamento e coração
E com a certeza de que nunca serei esquecido
Sou o herói dos heróis e o mundo do bandido

Um Poeta


Um poeta sempre diz seus versos
Um poeta sempre fala só
Um poeta na garganta da um nó
Quando em seu peito faltam palavras
Um poeta rima o caminho com a estrada
E tem sempre entre ele o papel a solidão
O poeta compõe em silencio
Ou ao som compõe uma canção
O poeta fala de tudo,
E muitas vezes ano diz nada
Às vezes apenas em uma simples linha
Conta sua vida, e sua morada
Um poeta é o deserto,
Ou a cidade mais habitada
O poeta é o amante,E é a mulher mais amada

Paciência



Tudo acontece com o tempo,
Procuro não fazer dele um sofrimento,
Mas muitas fezes ele me deixa sozinho
Procuro ensinamentos em meu caminho,
Para aprender a paciência do esperar
Não fazendo do hoje um penar
Mas me firo com essa flor que tem espinhos
Que fica em um jardim que não posso tocar
E mesmo assim sinto o cheiro de seu corpo
Mesmo que esteja tão distante do meu olhar